BIODIVERSIDADE E PEDAGOGIA DECOLONIAL NAS PRÁTICAS DE PROFESSORES DE BIOLOGIA

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59666/Arete.1984-7505.v25.n39.5095

Palavras-chave:

Bioculturalidade, Currículo, Interculturalidade, Pertencimento, Território

Resumo

Este artigo investiga como professores de Biologia identificam e incorporam a Educação para a Biodiversidade sob uma lente decolonial em seu fazer pedagógico, a partir do território de Axixá, Maranhão.  A pesquisa, de abordagem qualitativa e caráter interpretativo, analisou entrevistas com quatro docentes, organizando os achados em quatro categorias: contexto local e práticas decoloniais, sensibilização biocultural, currículo decolonial e diálogo de saberes. Os resultados mostram que o território, marcado por pesca artesanal, extrativismo da juçara, plantas medicinais e referências quilombolas, é acionado para aproximar conteúdos científicos da vida dos estudantes, favorecendo pertencimento e compreensão biocultural da Biodiversidade. Ao mesmo tempo, persistem lacunas como a ausência de diretrizes locais, a existência de materiais didáticos pouco contextualizados e limites formativos para sustentar teoricamente a abordagem decolonial. Conclui-se que práticas situadas já ocorrem, ainda que nem sempre nomeadas como decoloniais, e que fortalecer a formação docente, produzir acervos locais e institucionalizar ações territoriais pode ampliar a relevância social do ensino de Biologia.

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Publicado

2025-12-30

Como Citar

FREITAS, V. de P. C. .; VALLE, M. G. do. BIODIVERSIDADE E PEDAGOGIA DECOLONIAL NAS PRÁTICAS DE PROFESSORES DE BIOLOGIA. Revista Areté | Revista Amazônica de Ensino de Ciências, [S. l.], v. 25, n. 39, p. e25041, 2025. DOI: 10.59666/Arete.1984-7505.v25.n39.5095. Disponível em: http://periodicos.uea.edu.br/index.php/arete/article/view/5095. Acesso em: 11 mar. 2026.