FACES DO SILENCIAMENTO, DO PATRIARCALISMO NAS HISTÓRIAS DE LISE MEITNER E MARIE CURIE: VIDAS A SEREM (RE)CONTADAS
DOI:
https://doi.org/10.59666/Arete.1984-7505.v21.n35.3878Resumo
Somos confrontados com um cenário científico, na Química, enquanto área de conhecimento, constituído, sobretudo, por homens, e as poucas mulheres que se fazem presentes nesse contexto, ainda, encontram-se em situação de apagamento. Observando as faces do silenciamento, da aniquilação, do patriarcalismo temos que tal cenário se engendrou pela materialização de discursos criados socialmente, reforçando a ideia de uma mulher única e subserviente longe dos espaços acadêmicos e de institutos de pesquisa. Ao nos debruçarmos sobre as trajetórias científicas de Lise Meitner e Marie Curie e aproximando-nos da arqueologia foucaultiana, a partir das narrativas biográficas em livros e artigos, investigamos de que forma as narrativas, que sustentam a ilusória natureza feminina, influenciaram suas caminhadas científicas. Concluímos que, por meio de mecanismos discursivos, nas biografias encontradas, as mulheres são narradas na ciência enquanto corpos indesejáveis.
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