EDUCAÇÃO DO CAMPO, DAS ÁGUAS E DA FLORESTA: PRÁTICAS EDUCATIVAS E ARTICULAÇÃO COM O MUNDO DO TRABALHO RIBEIRINHO
DOI:
https://doi.org/10.59666/Arete.1984-7505.v24.n38.4192Palavras-chave:
Práticas educativas não escolares, Movimento da Educação do Campo, das águas e da floresta, Escola RibeirinhaResumo
Este artigo investiga as práticas educativas não escolares entre os ribeirinhos do Alto Solimões, explorando como a escola pode integrar outras formas de transmissão de conhecimento. O artigo contextualiza a região do Alto Solimões onde a pesquisa foi conduzida, analisando tanto o ambiente escolar quanto as práticas educativas que ocorrem fora dele. As produções teóricas advindas do movimento da Educação do Campo e o retrato das escolas da região dão pistas de como o ensino está longe de atingir os princípios de qualidade pautados na agenda do movimento. No segundo momento são apresentados os resultados da pesquisa de doutorado em que são abordados as práticas não escolarizadas, a partir do mundo do trabalho ribeirinho, trazendo a partir da farinhada, elementos que nos permite entender que as formas de transmissão do saber, fora da escola, são baseadas em outras lógicas que muitas vezes são contrárias às que são valorizadas no contexto escolar. Nas considerações finais, considera-se algumas pistas para pensar outras lógicas a serem apontadas na proposta de escola ribeirinha.
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