ETNOMATEMÁTICA COMO PRÁTICA DE RESISTÊNCIA E DECOLONIZAÇÃO DO SABER MATEMÁTICO

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59666/Arete.1984-7505.v24.n38.5125

Palavras-chave:

Etnomatemática, Decolonialiade, Educação Matemática, Diversidade Cultural, Afetividade

Resumo

Este artigo tem como objetivo analisar possibilidades de articulação entre a Etnomatemática e a perspectiva decolonial como forma de resistência à colonialidade do saber no ensino da matemática. Parte-se da compreensão de que os currículos escolares, marcados pela hegemonia eurocêntrica, desvalorizam saberes matemáticos produzidos em contextos culturais diversos. A pesquisa, de caráter qualitativo e teórico-analítico, fundamenta-se em revisão bibliográfica e análise documental. O estudo evidencia que a Etnomatemática, ao reconhecer os conhecimentos de grupos historicamente marginalizados, amplia o campo epistêmico da educação matemática e fortalece o sentimento de pertencimento dos estudantes. Além disso, demonstra que a decolonização do ensino matemático implica o enfrentamento de obstáculos estruturais, como a resistência institucional, a escassez de materiais didáticos culturalmente situados e a formação docente tradicional. O artigo conclui que uma educação matemática decolonial exige a reconfiguração do currículo e das práticas pedagógicas, incorporando saberes diversos como parte integrante da formação humana e cidadã.

 

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Publicado

2025-12-26

Como Citar

MELO, Éverton M. de; MATTOS, S. M. N. de .; MATTOS, J. R. . L. de . ETNOMATEMÁTICA COMO PRÁTICA DE RESISTÊNCIA E DECOLONIZAÇÃO DO SABER MATEMÁTICO. Revista Areté | Revista Amazônica de Ensino de Ciências, [S. l.], v. 24, n. 38, p. e25027, 2025. DOI: 10.59666/Arete.1984-7505.v24.n38.5125. Disponível em: http://periodicos.uea.edu.br/index.php/arete/article/view/5125. Acesso em: 27 mar. 2026.