PROFANAÇÕES DO SILÊNCIO: APAGAMENTOS, RESISTÊNCIAS E EPISTEMOLOGIAS LÉSBICAS NOS ARQUIVOS DA MORAL BRASILEIRA (1960–2000)
Palabras clave:
Arquivo, Corpo, Dissidência, Lesbianidade, MemóriaResumen
O artigo investiga o apagamento da lesbianidade nos arquivos da moral brasileira entre 1960 e 2000, examinando como o Estado e suas instituições produziram o silêncio como dispositivo de controle sobre os corpos dissidentes. A pesquisa tem como objetivo compreender de que modo esses apagamentos foram operacionalizados por discursos médicos, jurídicos, educacionais e religiosos, bem como identificar práticas de resistência que subverteram a exclusão por meio da criação de contra-arquivos e saberes insurgentes. Adota-se como metodologia a análise bibliográfica crítica, baseada na articulação entre fontes acadêmicas, documentos históricos e produções culturais que tensionam a historiografia tradicional. A investigação analisa o corpo lésbico como campo de disputa simbólica, marcado por violências institucionais e também por gestos de insubordinação epistêmica, afetiva e política. A pesquisa propõe que os silêncios arquivísticos não indicam ausência, mas estratégias ativas de apagamento, sendo a resistência lésbica uma forma de profanação da norma e fundação de novas epistemologias. Conclui-se que a inserção da lesbianidade no campo da História requer a revisão crítica de seus fundamentos disciplinares e a valorização de saberes produzidos nas margens. O estudo amplia o debate sobre memória, corpo e dissidência, oferecendo contribuições relevantes à historiografia contemporânea.
