Um olhar ancestral: análise da obra haicaísta Fios do tempo (quase haikais), de Graça Graúna

An ancestral perspective: analysis of the haiku work Fios do tempo (quase haikais), by Graça Graúna

Autores

DOI:

https://doi.org/10.59666/fiosdeletras.v2i05.4669

Palavras-chave:

poesia indígena; Graça Graúna; haicai; ancestraletra; decolonialidade; ancestralidade.

Resumo

A investigação propõe uma análise crítica da obra Fios do tempo (quase haikais), de Graça Graúna, com o objetivo de evidenciar como a poeta reelabora a forma tradicional do haicai japonês para evidenciar a cosmovisão indígena ancorada na espiritualidade, na ancestralidade e nos saberes nativos. Embora mantenha a estrutura tripartida característica do haicai, a autora não segue a rigidez métrica clássica e insere elementos simbólicos da natureza, do cotidiano e das práticas culturais dos povo originários e da memória, produzindo uma poética que dialoga com a oralidade, os ciclos da vida e o vínculo com a terra. A ancestralidade constitui o eixo central da obra, funcionando como fonte de sabedoria, resistência e pertencimento. Publicada pelas Edições Baleia Cartonera, a obra adere a uma proposta estética e política alternativa, que desafia o mercado editorial hegemónico e reafirma práticas de produção cultural autônomas e comunitárias. Além disso, Graúna ressignifica a poesia brasileira, destacando o haicai como ferramenta de afirmação identitária, promovendo uma escrita decolonial que rompe com as narrativas dominantes e valoriza os saberes originários. A obra insere-se, assim, no campo ancestraletra, conceito que pode definir a escrita como forma de existência, resistência e denúncia, especialmente quando protagonizada por mulheres indígenas. Dessa maneira, a poesia de Graúna se configura como instrumento de luta política, preservação da memória coletiva e reafirmação de uma identidade indígena viva, contemporânea e coletiva, em um universo da poesia tradicional japonesa.

Biografia do Autor

Cacio José Ferreira, Universidade de Brasília

Professor Adjunto da Universidade de Brasília (UnB) e doutor em Literatura (UnB). Foi Professor da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) de 2013 a 2025. Possui graduação em Psicologia pela Universidade Federal do Amazonas (2023), graduação em Língua e Literatura Portuguesa e Japonesa pela Universidade de Brasília (2005), Especialização em Linguística Aplicada (2008), Mestrado em Literatura - UnB (2010). Participou do Programa Japanese Language for Specialists, da Fundação Japão, em Osaka Japão (2014 -2015) e presidiu a Associação Brasileira de Estudos Japoneses - ABEJ (2014 - 2016). Foi do Coordenador de Letras - Língua e Literatura Japonesa UFAM (2015-2016), Diretor da Faculdade de Letras - FLet/UFAM (2020-2021), Vice-coordenador do curso de Letras Língua e Literatura Japonesa (2021-2023), coordenador pedagógico geral na Ufam da Rede ANDIFES IsF e Vice-presidente da Associação Brasileira de Estudos Japoneses - ABEJ (2022 - 2024). Coordenador do Programa de Pós-Graduação em Letras da UFAM (2022-2024), Coordenador do curso de Letras Língua e Literatura Portuguesa do Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica PARFOR (2021-2024),Coordenador Adjunto Equidade do Programa Nacional de Formação de Professores da Educação Básica PARFOR/UFAM (2024-2025) . Atualmente exerce o cargo de primeiro secretário da Associação Brasileira de Estudos Comparados - Abralic (2024 - 2025). É professor permenante do Programa de Pós-Graduação em Letras/UFAM e do Programa de Pós-Graduação em Letras de Bacabal/UFMA. Lidera o grupo de pesquisa CNPq Estudos de haicai: lirismo, haicaístas e campo literário. Atua principalmente nas seguintes linhas: Estudos de haicai, literatura comparada, literatura japonesa, literatura brasileira, fenomenologia, tradução, representação literária, fábulas.

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Publicado

2025-10-03

Edição

Seção

Temas Livres