Revista Fios de Letras http://periodicos.uea.edu.br/index.php/fiosdeletras <p>A Revista Fios de Letras (ISSN: 2966-0130) dedica-se à divulgação nacional e internacional de trabalhos originais e inéditos nas áreas de Linguística, Literatura e campos afins, acolhendo artigos, ensaios e resenhas de pesquisadores, docentes e discentes vinculados à pós-graduação, bem como contribuições oriundas da iniciação científica e da graduação desenvolvidas sob orientação acadêmica. Publicada semestralmente, em fluxo contínuo, a revista busca consolidar-se como espaço de circulação e interlocução crítica, favorecendo a difusão da produção científica e o diálogo entre diferentes perspectivas de investigação sobre a linguagem, a literatura e suas múltiplas formas de manifestação.</p> <p> <a href="https://miguilim.ibict.br/handle/miguilim/8797">Diamante</a> | <a href="https://periodicos.uea.edu.br/index.php/fiosdeletras/management/settings/%20https:/creativecommons.org/licenses/by/4.0">CC-BY</a> | <a href="https://doi.org/10.59666/fiosdeletras">DOI</a> | <a href="https://portal.issn.org/resource/ISSN/2966-0130">ISSN</a></p> Editora UEA pt-BR Revista Fios de Letras 3085-7546 Seis letras, seis golpes, a geometria da violência contra as Marias e não Marias: análise do conto “Ave Maria das Graças Santos”, de Alciene Ribeiro http://periodicos.uea.edu.br/index.php/fiosdeletras/article/view/5478 <p>Este artigo analisa o conto "Ave Maria das Graças Santos", da obra <em>Mulher Explícita</em> (2019) de Alciene Ribeiro, investigando como a concisão narrativa articula dinâmicas de gênero, alienação e enclausuramento. Objetiva-se perscrutar o conceito de "geometria da violência", aqui proposto para designar a métrica composicional estruturada em torno do numeral seis — isomorfismo que conecta a extensão de palavras-chave aos golpes físicos sofridos pela protagonista e ao sexto golpe: a impunidade jurídica do feminicídio. A metodologia cruza a teoria do conto de Piglia (2004) com a teoria crítica feminista de Saffioti (2004); Segato (2003), somada a biopolítica Agamben (2007) e conceitos de desumanização teorizados por Butler (2024), juntamente com a necropolítica e epistemicídio Carneiro (2005), discutindo a vulnerabilidade interseccional da mulher negra e periférica. Os resultados apontam que a engenharia textual de Ribeiro denuncia o feminicídio como uma racionalidade sistêmica e calculada, onde Estado e mídia atuam na dessensibilização coletiva. Conclui-se que a práxis da autora emerge como manifesto estético e político, capaz de fraturar a desumanização e restituir a agência às Marias silenciadas na história nacional.</p> Wagner Pereira de Souza Sandra Maria Alves de Souza Copyright (c) 2026 Wagner Pereira de Souza, Sandra Maria Alves de Souza https://creativecommons.org/licenses/by/4.0 2026-09-23 2026-09-23 3 07 e072601 e072601 10.59666/fiosdeletras.v3i07.5478