http://periodicos.uea.edu.br/index.php/fiosdeletras/issue/feedRevista Fios de Letras2025-10-13T11:32:20+00:00Maria Ozana Lima de Arrudamlarruda@uea.edu.brOpen Journal Systems<p>O título da revista anuncia o processo complexo de trabalho com as letras, tanto como língua instituída e utilizada por dada comunidade em ambiente de comunicação, quanto no uso estético da linguagem, formulando um produto poético e ficcional. Refletindo sobre esse procedimento e sobre os fenômenos engendrados a partir desses discursos, está o analista linguístico e o crítico literário, objetivando respostas possíveis para problemáticas em torno desses constructos da linguagem.</p> <p><strong>Coordenação:</strong> Colegiado de Letras (CEST/UEA) | <strong>ISSN:</strong> 2966-0130 | <strong>Ano de Criação:</strong> 2023 | <strong>Área Temática:</strong> Letras - Linguística e Literatura | <strong>Periodicidade</strong>: Semestral: com recebimento de artigos em fluxo contínuo.</p>http://periodicos.uea.edu.br/index.php/fiosdeletras/article/view/4613Eça de Queiroz e os espelhos do presente: Reflexões entre o Naturalismo e as interrogações do nosso tempo2025-10-13T11:31:51+00:00Ayanne Larissa Almeidaannyfilosofia@gmail.com<p>A obra de Eça de Queiroz, imersa no contexto do naturalismo e do realismo do século XIX, continua a oferecer um espelho incisivo para compreender os dilemas da hipercontemporaneidade. As suas críticas à sociedade burguesa, à corrupção moral, ao consumismo desenfreado e à alienação humana revelam uma surpreendente atualidade, especialmente quando confrontadas com os desafios da era digital, marcada pelo excesso de informação, individualismo exacerbado e crises éticas globais. Este artigo propõe uma releitura das narrativas queiroseanas sob a ótica dos problemas contemporâneos, como a hiperconexão tecnológica e a mercantilização das relações humanas. A questão central a ser debatida é: de que maneira os modos de ver de Eça de Queiroz podem iluminar as contradições e urgências da hipercontemporaneidade? Argumentamos que a prosa crítica e visionária dele antecipa debates sobre a erosão dos valores humanísticos e a alienação provocada pela modernização acelerada. Ao analisar obras como <em>Os Maias</em>, exploramos como as reflexões do autor sobre decadência social, identidade e utopia dialogam com questões atuais. Ao longo deste artigo foi possível observar que Eça não é apenas um cronista do passado, mas também um intérprete perspicaz do presente e futuro, e oferece ferramentas literárias para pensar criticamente a condição humana no século XXI.</p>2025-10-03T00:00:00+00:00Copyright (c) 2025 Ayanne Larissa Almeidahttp://periodicos.uea.edu.br/index.php/fiosdeletras/article/view/4669Um olhar ancestral: análise da obra haicaísta Fios do tempo (quase haikais), de Graça Graúna2025-10-13T11:32:20+00:00Cacio José Ferreiracaciosan@gmail.com<p>A investigação propõe uma análise crítica da obra <em>Fios do tempo (quase haikais)</em>, de Graça Graúna, com o objetivo de evidenciar como a poeta reelabora a forma tradicional do haicai japonês para evidenciar a cosmovisão indígena ancorada na espiritualidade, na ancestralidade e nos saberes nativos. Embora mantenha a estrutura tripartida característica do haicai, a autora não segue a rigidez métrica clássica e insere elementos simbólicos da natureza, do cotidiano e das práticas culturais dos povo originários e da memória, produzindo uma poética que dialoga com a oralidade, os ciclos da vida e o vínculo com a terra. A ancestralidade constitui o eixo central da obra, funcionando como fonte de sabedoria, resistência e pertencimento. Publicada pelas Edições Baleia Cartonera, a obra adere a uma proposta estética e política alternativa, que desafia o mercado editorial hegemónico e reafirma práticas de produção cultural autônomas e comunitárias. Além disso, Graúna ressignifica a poesia brasileira, destacando o haicai como ferramenta de afirmação identitária, promovendo uma escrita decolonial que rompe com as narrativas dominantes e valoriza os saberes originários. A obra insere-se, assim, no campo <em>ancestraletra</em>, conceito que pode definir a escrita como forma de existência, resistência e denúncia, especialmente quando protagonizada por mulheres indígenas. Dessa maneira, a poesia de Graúna se configura como instrumento de luta política, preservação da memória coletiva e reafirmação de uma identidade indígena viva, contemporânea e coletiva, em um universo da poesia tradicional japonesa.</p>2025-10-03T00:00:00+00:00Copyright (c) 2025 Cacio José Ferreira