Senhor fugitivo e a criança estranha: contos sobre o afeto e as fugas possíveis
The fugitive man and the strange child: tales of affection and possible escapes
DOI:
https://doi.org/10.59666/fiosdeletras.v2i04.4429Palabras clave:
Afeto. Resistência. Errância. Epistemologia sapatão.Resumen
Este texto é uma travessia afetiva e política que busca compreender, por meio de subcontos e reflexões teóricas, como as relações entre a criança estranha e o Senhor Fugitivo, seu avô, abrem deslocamentos queer no campo do afeto, da resistência e da criação de si. A problemática que me move é compreender o que pode um afeto quando irrompe no avesso das normatividades familiares, forjando resistências e reinvenções de si nos gestos silenciosos, nas fugas e nas memórias. A metodologia é a escrita-performativa e autoficcional, onde o conto não é apenas estética, mas travessia metodológica e política, permitindo criar espaçostempos insurgentes que tensionam as fronteiras entre ciência, arte, corpo e memória. O referencial teórico se enraíza no pensamento queer por meio das palavras-corpo de Gloria Anzaldúa (2021), Judith Butler (2003), Paul B. Preciado (2017) e José Esteban Muñoz (2009), cujas reflexões sobre fronteiras, performatividade, resistência e utopia queer alimentam esta escrita. Como resultado, mostra os deslocamentos do pensamento queer para o desejo de criar uma epistemologia poéticaerótica sapatão feminista que emerge da errância, da dor e do desejo, inventando uma prática de escrita e de pesquisa que se faz resistência, travessia e convite a outros modos de existir. É preciso reconhecer que a teoria queer, com toda sua potência disruptiva, ainda tropeça quando tenta alcançar as especificidades de certos corpos que, ao longo da vida, foram nomeados como estranhos. A criança estranha não era apenas uma infância fora da norma: era uma criança sapatão.
Citas
BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.
DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. Kafka: por uma literatura menor. Rio de Janeiro:
Imago, 1977.
DOUBROVSKY, Serge. O último eu. In: NORONHÁ, Jovita Maria Gerheim (org.). Ensaios sobre a autoficção. Belo Horizonte: UFMG, 2014.
MUÑOZ, José Esteban. Cruising utopia: The then and there of queer futurity. New York: New York University Press, 2009.
PRECIADO, Paul B. Manifesto contrassexual. Tradução de Francisco Godinho. Lisboa: Sistema Solar, 2017.