A DISTÂNCIA COMO BARREIRA DE ACESSO À JUSTIÇA

ASSISTÊNCIA JURÍDICA EM MUNICÍPIOS AMAZONENSES SEM SEDE DA DEFENSORIA PÚBLICA

Authors

  • Christian Galvão da Silva Centro Universitário Eurípedes de Marília - UNIVEM
  • José Marconi Moreira Filho Centro Universitário Eurípedes de Marília - UNIVEM
  • Denison Melo de Aguiar Universidade do Estado do Amazonas - UEA
  • Bruna Maria da Silva Mota Universidade do Estado do Amazonas - UEA

Keywords:

Acesso à justiça, Defensoria Pública, assistência jurídica gratuita, interior do Amazonas, desigualdade regional

Abstract

O artigo examina a prestação de assistência jurídica integral e gratuita nos municípios do interior do Amazonas que não contam com sede ou núcleo da Defensoria Pública Estadual, a partir da constatação de que o desenho normativo brasileiro construiu o direito do art. 5º, LXXIV, da Constituição em torno da insuficiência de recursos, e não em torno do acesso físico ao serviço. O problema investigado consiste em saber de que modo se realiza o direito à assistência jurídica integral em municípios sem presença da Defensoria e se os arranjos supletivos existentes são suficientes para satisfazê-lo. O objetivo é descrever a cobertura institucional existente, identificar os arranjos que suprem a ausência e avaliar sua adequação ao comando constitucional. A metodologia é empírico-descritiva, apoiada em dados secundários públicos — do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, da Defensoria Pública do Estado do Amazonas, do Conselho Nacional de Justiça e de diagnósticos nacionais da Defensoria Pública —, combinada com análise normativa da Constituição, da Lei Complementar n. 80/1994 e da legislação estadual de organização judiciária. Por trabalhar exclusivamente com dados secundários agregados, a pesquisa não envolve seres humanos e dispensa apreciação por comitê de ética. Sustenta-se que a distância territorial constitui barreira de acesso qualitativamente distinta da barreira econômica e, por isso, não se resolve pelos instrumentos pensados para esta última; enquanto for tratada como mera insuficiência orçamentária, reproduz desigualdade regional no exercício de direitos. O principal resultado é a demonstração de que os critérios legais de dimensionamento da estrutura de justiça — população e volume processual — operam em sentido inverso ao da necessidade, retirando estrutura justamente dos municípios em que o custo privado de deslocamento é maior.

Author Biographies

Christian Galvão da Silva , Centro Universitário Eurípedes de Marília - UNIVEM

Mestrando em Direito pelo Centro Universitário Eurípedes de Marília (UNIVEM). Procurador-Geral do Município de Manacapuru e Professor Universitário da Universidade Nilton Lins. Possui especializações em Direito Público e Direito Civil e Empresarial pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Docência do Ensino Superior e Processo Civil, Trabalho, Penal e Constitucional pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte), e Direito Administrativo e Gestão Pública pela Escola Mineira de Direito (MG). E-mail: christiangalvao.adv@gmail.com; Lattes: http://lattes.cnpq.br/0864905638341795

José Marconi Moreira Filho , Centro Universitário Eurípedes de Marília - UNIVEM

Mestrando em Direito pelo Centro Universitário Eurípedes de Marília (UNIVEM). Presidente da Subseção de Manacapuru da OAB/AM, no mandato 2025–2027. Bacharel em Direito pela Escola Superior Batista do Amazonas (ESBAM), advogado desde 2014. Possui pós-graduações em Direito e Processo Penal pela Faculdade CERS, Direito Público pela Universidade Anhanguera-Uniderp, Direito e Processo Civil e Licitações e Contratações Públicas pela Faculdade Uninorte, e Direito Público pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Pós-graduando em Direito Civil e Empresarial pela UEA e em Direito Imobiliário e Notarial pela Escola Superior da Advocacia/Universidade Cândido Mendes. Possui experiência cartorária e formação complementar em Licitações e Contratações Públicas, Direito Eleitoral e Transações Imobiliárias. E-mail: jmarconi.filho@gmail.com; Lattes: http://lattes.cnpq.br/5740574921446200

Denison Melo de Aguiar, Universidade do Estado do Amazonas - UEA

Pós-Doutor UniSalento (Itália-2024), Doutor em Direito. Doutor em Direito pelo Programa de Pós-Graduação em Direito da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGD/ UFMG). Mestre em Direito Ambiental pelo Programa de Pós- Graduação em Direito Ambiental da Universidade do Estado do Amazonas (PPGDA/ UEA). Advogado. Graduado em Direito pela Universidade da Amazônia (UNAMA/PA). Professor de ensino superior do curso de Direito da UEA. Professor da Academia de Polícia Militar do Amazonas (APM-PMAM). Professor de ensino superior do Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). Coordenador da Clínica de Mecanismos de soluções de Conflitos (MArbiC/UEA). Coordenador da Clínica de Direito e Cidadania LGBTI (CLGBTI/UEA). Coordenador da Clínica de Direito dos Animais (YINUAKA-UEA). Editor-chefe da Revista Equidade. Integrante do Grupo de pesquisa Desafios do Acesso aos Direitos Humanos no Contexto Amazônico da Escola Superior da magistratura do Amazonas (ESMAM). Professor permanente do Programa de Pós-Graduação em Segurança Pública, cidadania e Direitos Humanos (PPGSP/UEA). E-mail: daguiar@uea.edu.br; Lattes: http://lattes.cnpq.br/9956374214863816

Bruna Maria da Silva Mota, Universidade do Estado do Amazonas - UEA

Graduanda em Direito pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e em Administração Pública pela UNIASSELVI, além de Técnica em Química pelo Instituto Federal do Amazonas (IFAM). Atualmente, atua como bolsista PROATEC/UEA no Programa de Pós-Graduação em Direito Ambiental (PPGDA/UEA). Integra a Clínica de Estudos Constitucionais (CEC), o Núcleo de Produção Científica e Editoração do Curso de Direito da UEA (NEDIR-UEA) e a Clínica de Mecanismos de Solução de Conflitos (MARBIC-UEA). E-mail: bruna148mota@gmail.com; Lattes: http://lattes.cnpq.br/9953382707020038

Published

2026-08-24