MULHERES QUILOMBOLAS, TRABALHO E DORORIDADE NA PAMPA BRASILEIRA

Authors

  • Nelissa Pereira Fonseca
  • Cassiane da Costa
  • Rosemeri da Silva Madri
  • Rumi Regina Kubo
  • Biane de Castro

DOI:

https://doi.org/10.59666/cc-ppgich.v1i23.4735

Abstract

Nesse artigo buscamos entender de que forma as opressões de gênero, raça e classe social se manifestam no trabalho das mulheres quilombolas da Pampa realizado fora de suas propriedades, bem como compreender as estratégias de resistência. Optamos pelo método do Estudo de Caso, realizando entrevistas com oito mulheres da Comunidade Quilombola Ibicuí da Armada, localizada no município de Santana do Livramento/RS. Os relatos demonstram que as mulheres quilombolas costumam trabalhar muito, desde criança. Devido à falta de terra para viver do trabalho em suas propriedades, minifúndios, elas precisam trabalhar fora, geralmente em atividades domésticas em fazendas da região. Muitas vezes, esse trabalho não é valorizado e os relatos denunciam recorrentes condições degradantes e análogas à escravidão. O termo dororidade resume bem a dor compartilhada que essas mulheres suportaram e ainda suportam, mas também mostra a potência de transformação que elas carregam. Existe um grande potencial na mobilização coletiva das mulheres quilombolas para transformar a realidade, como mostram experiências de apoio entre mulheres para o cuidado de crianças e a constituição da agroindústria coletiva de panificados. 

Published

2025-09-16