GRUPOS VULNERÁVEIS: ASPECTOS DA ABORDAGEM POLICIAL À POPULAÇÃO NEGRA À LUZ DA DIGNIDADE HUMANA E SEUS IMPACTOS

Autores

  • GUILHERME LISCHT DA SILVA guilischtjudo@gmail.com
    Universidade do Estado do Amazonas
  • Silas Melo dos Santos silasmel0202@gmail.com
  • Bruno Jordano da Silva Brito brunojordano91@hotmail.com
  • David Marques Soares eng.davidmarques@gmail.com
  • Evander Kelly Avila vdr.avila@gmail.com
  • Dieymesson Rodrigo Lopes Meneses dieymesson.oficial@gmail.com
  • Denison Melo de Aguiar denisonaguiarx@gmail.com
  • Neuton Alves de Lima nalima@uea.edu.br
  • Flávio Humberto Pascarelli Lopes fpascarellilopes@icloud.com

Palavras-chave:

Racismo, Abordagem Policial, Institucional

Resumo

Este estudo de natureza qualitativa e bibliográfica propõe-se a analisar a abordagem policial direcionada à população negra no Brasil sob o prisma do princípio constitucional da dignidade da pessoa humana. A pesquisa aborda a necessidade de confrontar a discrepância entre este preceito constitucional (Art. 1∘, III, da CF/88 ) e a prática de perfilamento racial (racial profiling) no cotidiano policial. A premissa central é que a sociedade brasileira, marcada por desigualdades raciais e um histórico de escravidão, coloca a população negra em uma posição de extrema vulnerabilidade, especialmente na relação com o aparato de segurança pública. O problema de pesquisa investiga como as abordagens policiais seletivas violam a dignidade humana e quais são os impactos sociais, psicológicos e jurídicos dessas práticas. A hipótese sustenta que as abordagens não são neutras, mas sim orientadas por estigmas raciais e sociais historicamente construídos, o que reforça desigualdades, naturaliza a criminalização secundária, enfraquece a confiança nas instituições estatais e perpetua a violência. A prática de perfilamento anula a presunção de inocência, transformando o cidadão negro em suspeito a priori e violando a exigência legal de fundada suspeita. No campo social, a constante interrupção e a submissão a abordagens vexatórias geram um profundo trauma racial, deteriorando a saúde mental e o pleno exercício da cidadania.  Os resultados revelam que a intensificação das abordagens em zonas periféricas é um fenômeno multifatorial, decorrente tanto de critérios operacionais legítimos (concentração de vulnerabilidade e criminalidade) quanto de elementos socioculturais. Contudo, essa concentração territorial se sobrepõe e reforça estereótipos raciais e sociais, associando o território e a cor da pele à "imagem de perigo", resultando na estigmatização coletiva de comunidades e na produção da seletividade penal. Por fim, o estudo conclui que o desafio reside em equilibrar a necessidade de presença policial com o respeito aos direitos e à dignidade das pessoas abordadas. O foco deve ser a qualificação das ações e a formação ética dos agentes, para que o policiamento seja um instrumento de proteção e não de opressão. A plena garantia da dignidade humana requer que o território e a cor da pele deixem de determinar o valor da vida e o tratamento policial.

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Publicado

2026-05-20

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Como Citar

DA SILVA, G. L., dos Santos, S. M., da Silva Brito, B. J., Soares, D. M., Avila, E. K., Lopes Meneses, D. R., de Aguiar, D. M., de Lima, N. A. ., & Pascarelli Lopes, F. H. (2026). GRUPOS VULNERÁVEIS: ASPECTOS DA ABORDAGEM POLICIAL À POPULAÇÃO NEGRA À LUZ DA DIGNIDADE HUMANA E SEUS IMPACTOS. Equidade: Revista Eletrônica De Direito Da UEA - ISSN: 2675-5394, 1(1). Recuperado de http://periodicos.uea.edu.br/index.php/equidade/article/view/4817

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