ENTRE A FÉ E A VIOLAÇÃO
A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS INDÍGENAS NA TOADA “OLHAR DE CURUMIM”
Resumo
Este estudo propõe refletir criticamente sobre o processo histórico de
evangelização dos povos indígenas no Brasil, frequentemente apresentado como
uma missão civilizatória e espiritual pelos jesuítas durante a colonização, mas que
também pode ser compreendido como uma das mais duradouras formas de vio
lência simbólica, apagamento cultural e patrimonial. O artigo busca analisar a to
ada “Olhar de Curumim” (2025), do Boi Garantido, como expressão artística que
denuncia os impactos da catequese na identidade indígena. A partir da perspectiva
da cultura popular, a toada é abordada como um espaço de resistência simbólica,
que confronta a lógica colonizadora por meio da valorização da memória, da in
fância indígena e dos saberes ancestrais. Nesse sentido, a pesquisa qualitativa de
senvolve-se por meio de análise documental e textual, tendo como prioridade uma
leitura crítica da toada enquanto performance cultural, compreendendo-a não só
como expressão artística, mas como instrumento de denúncia e de preservação da
memória Com base nas reflexões sobre identidade e patrimônio de Mario Chagas
(2007), bem como nos aspectos cosmológicos apresentados pelos autores indíge
nas Davi Kopenawa (2015) e Ailton Krenak (2019), o estudo problematiza o papel
da evangelização como instrumento de negação das cosmovisões originárias, re
velando tensões entre a fé imposta e o poder de autodeterminação cultural.
