O SORRISO DA AVÓ EM “GUARDE SEGREDO”, DE ESMERALDA RIBEIRO

Autores

  • Ana Margarida Martins ueaedicoes@gmail.com
    Universidade de Exeter

Palavras-chave:

afrodescendência, (in)visibilidade, maternidade, Cadernos Negros, panóptico, hibridismo

Resumo

No conto “Guarde Segredo” (1991), Esmeralda Ribeiro (1958-) substitui os pais “verdadeiros” ou biológicos de uma jovem afrodescendente por dois pais “falsos” (vovó Olívia e Lima Barreto). Por qual razão Ribeiro nos apresenta esta família alternativa? Neste artigo, defendo que a imaginação de uma nova família permite a Ribeiro combinar uma abordagem da invisibilidade literária, histórica e política das mulheres afrodescendentes com uma visão crítica e ambivalente da maternidade, quando esta se torna excessivamente visível na esfera privada. Apropriando-se dos princípios utilizados por sociedades disciplinares para regular relações raciais e sexuais, “Guarde Segredo” introduz estruturas panópticas de disciplina (Foucault, 1977) no cotidiano familiar dos inquilinos da casa situada à rua Major Mascarenhas, de modo a inverter o processo de invisibilidade crescente da jovem narradora, enquanto mãe afrodescendente em potência. A solução panóptica encontrada por Ribeiro cria uma plataforma privilegiada de acesso aos seus pais enquanto observadores/educadores, um dos quais é, como veremos, mais invisível do que o outro. A imaginação de uma nova família em “Guarde Segredo” permite a Ribeiro oferecer pistas teóricas necessárias para uma discussão sustentável e não essencialista da maternidade no contexto do projeto político-literário da escritura afro-brasileira.

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Publicado

2017-05-22

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Como Citar

Martins, A. M. (2017). O SORRISO DA AVÓ EM “GUARDE SEGREDO”, DE ESMERALDA RIBEIRO. ContraCorrente: Revista Do Programa De Pós-Graduação Interdisciplinar Em Ciências Humanas, (7), 29–43. Recuperado de http://periodicos.uea.edu.br/index.php/contracorrente/article/view/553