RESISTÊNCIA E DINÂMICA DE ADAPTAÇÃO QUILOMBOLA: O JARÊ NA CHAPADA DIAMANTINA
DOI:
https://doi.org/10.59666/cc-ppgich.v1i23.4730Resumo
O presente texto foi elaborado a partir de uma pesquisa qualitativa, teórica, documental contextualizada à pesquisa bibliográfica sobre religiosidade e cultura negro-brasileira e consiste em uma abordagem acadêmico-reflexiva sobre a singularidade da religião do Jarê, de matriz africana, que encontra sua expressão única no Quilombo de Remanso, na região da Chapada Diamantina, Bahia. Partindo da premissa de que o Jarê, inicialmente concebido como uma prática tipicamente rural, transcende suas fronteiras tradicionais ao envolver-se em circuitos que poderiam ser considerados estranhos à sua essência. O Jarê, variante quilombola do Candomblé de Caboclo é uma expressão religiosa afro-brasileira que mescla elementos das tradições africanas, indígenas e europeias. Apesar de menos conhecido que outras vertentes do Candomblé, como o Ketu e o Angola, o Jarê desempenha um papel significativo na preservação da identidade cultural e espiritual das comunidades quilombolas e afrodescendentes no Brasil. Esta abordagem se embasa teoricamente, em especial, nas seguintes obras, com seus respectivos autores: Cultura Tradicional Banto, de Raul Ruiz de Asúa Altuna; O Local da Cultura, de Homi Kuane Bhabha; e Tradição Viva, de Hampâté Bâ. Ao mesmo tempo em que constatamos que a tradição religiosa afro-brasileira é parte constituinte da matriz formadora da cultura brasileira; percebemos que, desde os indicadores, temos uma sociedade ainda pouco atraente aos pardos e pretos por não agregar a sua identidade cultural e por não reconhecer às singularidades deste grupo específico. A análise centra-se em expectativas extrínsecas, expandindo seu alcance para plateias mais amplas e contextos diversos.
