FIM DA AVENTURA, FIM DA VIAGEM. A TRAGÉDIA DO REGRESSO EM AS NAUS, DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES

Autores

  • Biagio D’Angelo ueaedicoes@gmail.com
    UCSS-Peru

Resumo

Luis Cernuda escreve, em um poema sobre Ulisses, arquétipo mítico da experiência fi ccional da viagem, que “já voltar não interessa”. Se a viagem se propunha – em sua concepção clássica – como um movimento “duplo”, à procura do caminho da volta, a literatura do século XX se encarrega, ao contrário, de enfatizar o movimento constante, de ida só, com rumo para nenhuma meta. Pode-se tratar, às vezes, de uma viagem hipnótica (Celine), ou para um inferno alegórico e, ao mesmo tempo, íntimo (Rimbaud) ou para um autoconhecimento que fi ca incompleto e decepcionante (Conrad, Tabucchi, Chatwin). Assim, se viajar e escrever se parecem – como gestos antropológicos e filosófi cos – é porque o grau fi ccional é construído ambiguamente. Todavia, a experiência que a viagem e a escrita representam não consegue excluir, por completo, a “intrusão” do real. A realidade atua, nela, como questionamento da morada do sujeito (fixa, habitual, rica em memórias) e da distância (do conhecido, do familiar, do lugar que se torna insuficientemente satisfatório).

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Publicado

2017-05-22

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Como Citar

D’Angelo, B. (2017). FIM DA AVENTURA, FIM DA VIAGEM. A TRAGÉDIA DO REGRESSO EM AS NAUS, DE ANTÓNIO LOBO ANTUNES. ContraCorrente: Revista Do Programa De Pós-Graduação Interdisciplinar Em Ciências Humanas, (1), 219–230. Recuperado de http://periodicos.uea.edu.br/index.php/contracorrente/article/view/453

Edição

Seção

Várias - Críticas