Ecos da mitologia grega: a ressimbolização semiótica da lenda do boto

  • Socorro Viana de Almeida UEA
  • Cleidiane Oliveira de Paula UEA

Resumo

O presente trabalho insere-se na área temática da semiótica e ocupa-se de um estudo sobre o fenômeno da ressimbolização semiótica da Lenda do Boto na cultura amazônica. O enfoque da pesquisa é o fenomenológico e a metodologia empregada é de natureza exploratória com pesquisa bibliográfica qualitativa. Para tanto, buscou-se entender a cultura amazônica com Loureiro (2015) e Cascudo (2002), pensou-se a ressimbolização semiótica na concepção de símbolo de Peirce (1972; 1998) e Santaella (2008) aliados ao ciclo da mitologia grega com Vernant & Naquet (1977), Leite (2001), Fontes (2003) e Hesíodo (2006), imprescindíveis para a compreensão do texto. Os resultados apontam que na passagem da água para a terra, o Boto experimenta o percurso da conversão semiótica. Enquanto homem transgressor é também de uma certa maneira um herói trágico. É um violador da ordem natural, um sobrenatural/humano. Em festas de dança, seja a festa dançante comum no interior da Amazônia, seja a festa anual do santo padroeiro, quando é surpreendido e perseguido, acovarda-se, jamais enfrenta seus adversários, foge para atirar-se de volta ao rio. Retorna, assim, à condição animal. Quebra-se o encanto. Degrada-se. Há ricas nuanças simbólicas no processo de transformação do Boto em homem, o orifício no alto da cabeça do Boto, que permanece na cabeça do homem, qual a simbologia deste sinal? Qual a simbologia de seu chapéu? Da festa? A cor branca de suas roupas? O olho e o olhar são outros signos de grande simbolização. É essa conversão simbólica o objeto de nosso estudo.

Publicado
2018-11-30
Como Citar
ALMEIDA, Socorro Viana de; PAULA, Cleidiane Oliveira de. Ecos da mitologia grega: a ressimbolização semiótica da lenda do boto. Contra Corrente, [S.l.], n. 12, p. 22-34, nov. 2018. ISSN 2525-4529. Disponível em: <http://periodicos.uea.edu.br/index.php/contracorrente/article/view/1205>. Acesso em: 15 dez. 2018.