Jorge Tufic e o Clube da Madrugada: entre a margem e o cânone Jorge Tufic and the Clube da Madrugada: Between the Margins and the Canon
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Resumo
Este artigo analisa a trajetória poética de Jorge Tufic e a atuação do Clube da Madrugada a partir da noção de marginalidade geográfica, entendida como a condição de autores e movimentos literários produzidos fora dos principais centros de legitimação cultural do país. Fundado em Manaus em 1954, o Clube da Madrugada representou um marco no processo de renovação estética da literatura amazonense, buscando romper com o academicismo predominante na região e inserir sua produção nos debates da modernidade literária brasileira. Com base na análise de Varanda de pássaros (1956), Chão sem mácula (1966) e Faturação do ócio (1974), argumenta-se que a poesia de Jorge Tufic se constrói por meio de uma negociação constante entre a busca por legitimidade literária e a condição periférica de sua produção. Demonstra-se que a recusa da cor local, o diálogo com o cânone brasileiro e lusófono, a valorização do rigor formal e a incorporação de procedimentos da lírica moderna constituem estratégias de inserção no sistema literário nacional. Evidencia-se também que essa aproximação com o cânone não implica o apagamento da experiência amazônica, que permanece atuando de forma indireta na configuração de sua escrita. Por fim, sustenta-se que a formulação da Poesia de Muro representa o momento em que essa negociação passa a produzir uma contribuição estética própria, convertendo a marginalidade geográfica em potência criadora. Desse modo, o artigo propõe ampliar as discussões sobre literatura marginal no Brasil ao considerar as formas de marginalização produzidas pelas assimetrias regionais do campo literário nacional.
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