Seis letras, seis golpes, a geometria da violência contra as Marias e não Marias: análise do conto “Ave Maria das Graças Santos”, de Alciene Ribeiro
Six letters, six blows, the geometry of violence against the Marias and non-Marias: an analysis of the short story "Ave Maria das Graças Santos" by Alciene Ribeiro
DOI:
10.59666/fiosdeletras.v3i07.5478Palabras clave:
Conto contemporâneo. Desumanização. Feminicídio. Necropolítica.Resumen
Este artigo analisa o conto "Ave Maria das Graças Santos", da obra Mulher Explícita (2019) de Alciene Ribeiro, investigando como a concisão narrativa articula dinâmicas de gênero, alienação e enclausuramento. Objetiva-se perscrutar o conceito de "geometria da violência", aqui proposto para designar a métrica composicional estruturada em torno do numeral seis — isomorfismo que conecta a extensão de palavras-chave aos golpes físicos sofridos pela protagonista e ao sexto golpe: a impunidade jurídica do feminicídio. A metodologia cruza a teoria do conto de Piglia (2004) com a teoria crítica feminista de Saffioti (2004); Segato (2003), somada a biopolítica Agamben (2007) e conceitos de desumanização teorizados por Butler (2024), juntamente com a necropolítica e epistemicídio Carneiro (2005), discutindo a vulnerabilidade interseccional da mulher negra e periférica. Os resultados apontam que a engenharia textual de Ribeiro denuncia o feminicídio como uma racionalidade sistêmica e calculada, onde Estado e mídia atuam na dessensibilização coletiva. Conclui-se que a práxis da autora emerge como manifesto estético e político, capaz de fraturar a desumanização e restituir a agência às Marias silenciadas na história nacional.
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