Teoria Etno-Queer: conceitos introdutórios Ethno-Queer Theory: introductory concepts
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Abstract
Este artigo apresenta a Teoria Etno-Queer como uma proposta epistemológica insurgente que articula os pressupostos dos estudos queer com saberes ancestrais indígenas e quilombolas, buscando compreender como corpo, linguagem, território e ancestralidade participam da construção das experiências LGBTQIA+ em contextos afro-indígenas amazônicos. A pesquisa parte do problema de que grande parte das teorias queer foi desenvolvida a partir de referenciais euro-americanos, nem sempre contemplando as especificidades históricas, culturais e territoriais das dissidências sexuais e de gênero vivenciadas por povos indígenas e comunidades quilombolas. Como hipótese central, sustenta-se que a incorporação de perspectivas afro-indígenas amplia os horizontes epistemológicos dos estudos queer, permitindo a construção de interpretações mais situadas e decoloniais. O referencial teórico articula contribuições de Butler (2022), Borba (2020), Lugones (2014), Quijano (2005), Mignolo (2010), Boaventura de Sousa Santos (2010), Kopenawa e Albert (2015), entre outros autores dos estudos queer, decoloniais e das Epistemologias do Sul. Os resultados evidenciam que categorias como corpo-território, ancestralidade como conhecimento, linguagem como reexistência e permanência territorial constituem elementos centrais para a compreensão das experiências LGBTQIA+ afro-indígenas. Conclui-se que a Teoria Etno-Queer contribui para tensionar os limites universalizantes dos estudos queer e para fortalecer a produção de conhecimentos situados no Sul Global.
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