Teoria Etno-Queer: conceitos introdutórios Ethno-Queer Theory: introductory concepts

Conteúdo do artigo principal

Renato Régis Barroso

Resumo

Este artigo apresenta a Teoria Etno-Queer como uma proposta epistemológica insurgente que articula os pressupostos dos estudos queer com saberes ancestrais indígenas e quilombolas, buscando compreender como corpo, linguagem, território e ancestralidade participam da construção das experiências LGBTQIA+ em contextos afro-indígenas amazônicos. A pesquisa parte do problema de que grande parte das teorias queer foi desenvolvida a partir de referenciais euro-americanos, nem sempre contemplando as especificidades históricas, culturais e territoriais das dissidências sexuais e de gênero vivenciadas por povos indígenas e comunidades quilombolas. Como hipótese central, sustenta-se que a incorporação de perspectivas afro-indígenas amplia os horizontes epistemológicos dos estudos queer, permitindo a construção de interpretações mais situadas e decoloniais. O referencial teórico articula contribuições de Butler (2022), Borba (2020), Lugones (2014), Quijano (2005), Mignolo (2010), Boaventura de Sousa Santos (2010), Kopenawa e Albert (2015), entre outros autores dos estudos queer, decoloniais e das Epistemologias do Sul. Os resultados evidenciam que categorias como corpo-território, ancestralidade como conhecimento, linguagem como reexistência e permanência territorial constituem elementos centrais para a compreensão das experiências LGBTQIA+ afro-indígenas. Conclui-se que a Teoria Etno-Queer contribui para tensionar os limites universalizantes dos estudos queer e para fortalecer a produção de conhecimentos situados no Sul Global.

Detalhes do artigo

Como Citar
Barroso, R. R. (2026). Teoria Etno-Queer: conceitos introdutórios: Ethno-Queer Theory: introductory concepts. Revista Fios De Letras, 3(06), e062605. https://doi.org/10.59666/fiosdeletras.v3i06.5318
Seção
Dossiê Temático
Biografia do Autor

Renato Régis Barroso, Instituto Federal do Amazonas

Professor do Instituto Federal do Amazonas. Mestre em Letras e Artes pelo PPGLA (UEA), na linha de Linguagem, Discursos e Práticas Sociais. Membro efetivo da ABRALIN (Associação Brasileira de Linguística). Possui formação em Linguística; Estudos de Língua Portuguesa e Literatura e História da Arte (UNIUBE); História da Cultura Afro-brasileira e indígena (UNINTER) e Pedagogia e Organização do Mundo do Trabalho pela FACED/UFAM. Graduado em Letras (UFAM). Graduado em Artes (UNICV). Pesquisador nas áreas de: Arte, Gênero e Sexualidade na Educação; Arte, Corpo e Performatividade; Linguística Aplicada Indisciplinar; Linguística Africana; Linguística Antropológica; Linguística Indígena; e, principalmente, Linguística Queer, com estudos articulados à Teoria Etno-Queer, investigando a linguagem como prática social atravessada por gênero, ancestralidade, território e poder. É estudioso do Pajubá há mais de uma década e autor da Gramática Descritiva do Pajubá pela Parábola Editorial. Possui experiência em pesquisas junto ao Núcleo de Estudos Queer e Decoloniais - NuQueer/UFRPE; Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas - Neabi/IFAM e do grupo de Fonética, Fonologia e Morfologia do português amazônico e das línguas indígenas/UEA. 

Referências

ALBERT, Bruce; KOPENAWA, Davi. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 4. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.

BORBA, Rodrigo. Linguística queer: uma perspectiva pós-identitária para os estudos da linguagem. Entrelinhas, São Carlos, v. 9, n. 1, p. 91–107, 2015.

BORBA, Rodrigo (org.). Discursos transviados: por uma linguística queer. São Paulo: Cortez, 2020.

BOURDIEU, Pierre. Language and symbolic power. Cambridge: Polity Press, 1991.

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019.

LUGONES, María. Rumo a um feminismo descolonial. Estudos Feministas, Florianópolis, v. 22, n. 3, p. 935–952, 2014.

MBEMBE, Achille. Necropolítica. São Paulo: N-1 Edições, 2018.

MUNDURUKU, Daniel. O caráter educativo do movimento indígena brasileiro. São Paulo: Parábola, 2017.

FAIRCLOUGH, Norman. Discurso e mudança social. Tradução de Izabel Magalhães. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 2001.

OYĚWÙMÍ, Oyèrónkẹ́. The invention of women: making an African sense of Western gender discourses. Minneapolis: University of Minnesota Press, 1997.

POTIGUARA, Eliane. Metade cara, metade máscara. Rio de Janeiro: Grumin, 2019.

QUIJANO, Aníbal. Colonialidade do poder, eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Buenos Aires: CLACSO, 2005. p. 117–142.

RÉGIS, Renato. Gramática descritiva do Pajubá: diálogos com a Linguística-Queer, Africana e Antropológica. 1.Ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2025.