A palatalização progressiva de /t/ e /d/ em Alagoas: Um fenômeno influenciado por fatores macrossociais e linguísticos
DOI:
https://doi.org/10.59666/fiosdeletras.v2i05.4886Palavras-chave:
Palatalização progressiva, Variação diatópica, Variação diastrática, Variante estigmatizada, Falar alagoanoResumo
Neste texto, reapresento e discuto os principais resultados da pesquisa realizada por Almir Almeida de Oliveira (UNEAL e UFAL) e Alan Jardel de Oliveira (UFAL) entre 2019 e 2020, publicada em 2021 e republicada sob o título “Muitcho doidjo”: a palatalização progressiva em Alagoas por quê na coletânea 30 anos do Programa de Estudos Linguísticos (PRELIN – PPGLL/UFAL) – Volume I – Estudos em variação e mudança linguística, organizada por Aldir Santos de Paula (UFAL) e Elyne Giselle de Santana Lima Aguiar Vitório (UFAL). A pesquisa de Oliveira e Oliveira (2021; 2023) analisa a palatalização progressiva das consoantes /t/ e /d/ no português falado em Alagoas. Fundamentada na “teoria da variação e mudança linguística”, a investigação baseou-se em 168 entrevistas realizadas em sete cidades do estado, com 844 ocorrências do fenômeno (20,9%). Os autores verificaram a influência de quatro variáveis linguísticas (tonicidade, posição, tipo de consoante e vogal seguinte) e quatro sociais (sexo, idade, escolaridade e cidade). Constatou-se que o fenômeno, socialmente estigmatizado, é mais frequente no nordeste alagoano, região interiorana e pouco escolarizada (segundo dados do Censo Demográfico de 2022 do IBGE). A escolarização reduz o uso, sobretudo entre jovens, enquanto a vogal /i/, a consoante /t/ e sílabas átonas favorecem a ocorrência. Os autores concluem que a escolarização tende a conter a expansão do processo, mas argumento que ele pode permanecer forte como marcador identitário regional. A utilização de regressão multinível conferiu robustez metodológica à análise, destacando fatores internos e externos que influenciam o fenômeno.
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